quarta-feira, 15 de julho de 2015

Como tudo começou...

Tudo começou, bem antes, eu diria.... Começou com uma garotinha chamada Alice, que foi muito desejada, amada e que nos deixou depois de 4 dias de vida, em uma gestação interrompida por volta das 26 semanas, devido a uma doença desenvolvida de uma hora pra outra, na gravidez, chamada hellp síndrome. Essa doença é cruel, uma das piores complicações que se pode ter em uma gravidez e com grave risco de morte para a mãe. Com Alice aprendi e cresci muito, me tornei outra mulher, mais madura e determinada.

Após essa gravidez, fiquei determinada e sabia com toda convicção que queria engravidar novamente, fui a mil médicos e fiz mil check ups. Chegamos a conclusão que eu era portadora de trombofilia e que para que minha gravidez tivesse sucesso eu precisaria usar uma injeção de anticoagulante chamada clexane, durante toda gestação, além de vitaminas, aspirina, ultrassons regulares e com doppler, repouso e acompanhamento de uma hematologista. Comecei a participar de vários grupos de apoio no facebook de mulheres que tinham passado por situação semelhante, estudei, estudei e estava pronta pra enfrentar tudo que estava por vir.

Engravidamos rapidinho, assim que os médicos liberaram, estávamos grávidos e de GÊMEOS. Meu Deus, como fomos abençoados, a felicidade voltava a sorrir para a gente. A gravidez foi seguindo, tudo certo, nenhuma alteração, dediquei toda a minha vida para ela, deixei de trabalhar, segui todas as recomendações médicas (não eram poucas), comecei a organizar o tão esperado chá de fraldas. Tudo ia acontecendo perfeitamente..

Até que fomos fazer mais uma ultrassom (às vésperas do chá de fraldas), e o médico que sempre fez nossas ultras e que sempre tinha um sorriso no rosto, fechou o semblante e nos disse que precisávamos conversar. O céu fechou. Ru sabia que tudo mudaria depois dessas palavras. Um dos gêmeos estava em sofrimento fetal e a partir daí nos sentimos apunhalados pelas costas, tínhamos feito tudo, estávamos com 26 semanas e 6 dias, e tudo desmoronando ao nosso redor. Corremos atrás da nossa médica obstetra que era também mãe, anja, madrinha, e a aventura começou. Repetimos exames, fomos a um especialista, descobri que estava com Restrição seletiva do crescimento tipo II e fui internada. Recomendação de repouso e ultrassom diária. Esperança de que aguentaríamos prolongar a gravidez por mais algumas semanas. Massss a Hellp síndrome apareceu de novo, pegamos ela no começo, doença sorrateira, que em mim, aparece do dia para noite, risco de vida, UTI.. tudo de novo. Só que dessa vez eu e Rafael estávamos fortes. tínhamos montado todo o terreno, já tínhamos um dos melhores pediatras de plantão a espera, e já tinha tomado as injeções para amadurecer os pulmões de Bernardo e Arthur.

 E eis que com 27 semanas e 4 dias, meus ursos guerreiros chegam ao mundo. Foi um dia de emoções bem conflitantes, já que nossos filhos chegaram ao mundo bem, mas como prematuros extremos e com uma grande luta pela frente. Logo, choraram aos 4 ventos que eram guerreiros. E logo que chegam na UTI neonatal já mostraram que vieram pra lutar, e não precisaram ser entubados.

A gente respirou fundo, mais fundo mesmo e juntamos as forças, jurando  um ao outro que não iriamos desistir dos sonhados e amados gêmeos.

Resolvi criar esse blog para atualizar a família e os amigos que tanto nos tem apoiado. Diariamente, ou quase, irei escrever por aqui.
E talvez quem sabe, ajude alguns pais que estejam passando por situação semelhante a nossa .

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